As noções avançadas por Rosalind Krauss em “Escultura no Campo Ampliado” alcançaram grande notoriedade em vários domínios artísticos. Importou-nos, por isso mesmo, rever e reconsiderar os seus argumentos à luz das práticas artísticas atuais de um atelier de escultura em pedra.
Ao longo do biénio 23-24, o projeto artístico “A condição do campo” valorizou um modelo de residência artística articulado, propício ao cruzamento de subjetividades e gerador de conhecimento e ação e defendeu na esteira do enunciado de Krauss, que os artistas podem “ocupar e explorar uma diversidade de posições, com uma organização de trabalho que não é ditada pelas condições de determinado meio de expressão”.
A Pó de Vir a Ser é um polo de produção artística, debate e aprendizagem que trabalha contra a petrificação do pensamento, da ação e da cultura, a partir da escultura em pedra e dos cruzamentos disciplinares que ela convoca no contexto das artes visuais contemporâneas.
O projeto artístico desenvolve-se em ciclos bienais e organiza-se em torno de residências artísticas abertas a práticas diversas, da transmissão de conhecimentos específicos da escultura em pedra, de investigação crítica em articulação direta com os processos em curso no atelier, e de ações de mediação para públicos diversificados, incluindo pessoas com experiência de doença mental, em articulação com o setor da saúde. A sustentabilidade da prática assenta na utilização de resíduos de mármore das pedreiras do Alentejo Central e na criação e disseminação de metodologias que reconfiguram a própria conceção de escultura. Mantém parcerias de continuidade com entidades culturais, científicas e da indústria de extração de pedra, a nível local e nacional. Integra a Rede Portuguesa de Arte Contemporânea desde 2022.
A Pó de Vir a Ser é financiada pelo Ministério da Cultura / Direção-Geral das Artes e tem o apoio do Município de Évora.