Fotografia - Carolina Lecoq

A Participação das Pedras

Pedro Fazenda

Rodrigo Pedreira

“A Participação das Pedras” é uma criação da Pó de Vir a Ser concebida como uma ação para o palco ou para espaços não convencionais, a proposta desloca a escultura em pedra — matéria que viaja no tempo — para um campo expandido onde o público é convidado a interagir diretamente com os objetos artísticos. Nasce de uma investigação conjunta entre o escultor Pedro Fazenda e o artista sonoro Rodrigo Pedreira acerca da aura dos objetos artísticos e das relações que se podem estabelecer entre as matérias, as pessoas e as entidades com que se cruzam. Nesse terreno comum, as dimensões sensoriais — o que se vê, o que não se vê, o que se ouve e o que se toca — não se dão sem política, presença e silêncio, reformulando a experiência clássica do espectador perante a obra de arte. Estreada em maio de 2024 em co-produção com a Culturgest, “A Participação das Pedras” foi concebida para uma plateia vazia — intocável, inatingível e ignorada — e é disso que trata: de transformar a distância canónica entre o olhar e a obra numa proximidade sensorial, política e inevitavelmente partilhada.

 

Dossier de Projeto

Pedro Fazenda N. 1957 – Coimbra – Estudou no AR.CO – Centro de Arte e ComunicaçãoVisual, Lisboa. Expõe individualmente desde 1986 e colectivamente desde 1979. Desde 1985 é responsável pelo Departamento de Escultura em Pedra do Centro Cultural de Évora, cooperativa de produção artística, ocupando parte do Antigo Matadouro Municipal, cedido por protocolo pela Câmara Municipal de Évora. A partir de 2017, aAssociação Pó de Vir a Ser – Departamento de Escultura em Pedra -Centro Cultural de Évora prossegue os mesmos objectivos de investigação e produção de escultura em pedra, contando com equipamentos e logística próprios, proporcionando o cruzamento desaberes e a intervenção na cidade. Atualmente é o presidente da direcção da associação.

 

Rodrigo Pedreira N. 1992 – Estabelece a sua prática artística a partir dos princípios intermodais e relacionais das tecnologias audiovisuais com o meio, o espaço e o tempo. Desenvolve a sua investigação artística no campo do vídeo e do som com foco no cruzamento entre Live-Cinema,Performance, Instalação e Sound Art. Desde 2013 que a sua práticase desdobra entre criação, curadoria e programação, tendo colaborado com vários artistas e colectivos. É fundador da Ocupação – Associação Cultural e co-curador d´”O Estado do Tempo”, um ciclo de conversas e publicações promovido pelo Espaço do Tempo. Licenciado em Teatro (ESTC) e Mestre emArte e Tecnologias do Som (ESMAE), é doutorando em EducaçãoArtística pela FBAUP.Assume a deriva como uma resistência à utilidade.

Este projeto é financiado pela República Portuguesa – Cultura / Direcção-Geral das Artes e Município de Évora. Coprodução: Culturgest. Conta com o apoio de Formas de Pedra e do Teatro Garcia de Resende. Agradecimento especial à parceria local Medidas Pioneiras.
PÓ DE VIR A SER