Fotografia ⓒ Pó de Vir a Ser



Geologia da Atenção  |  A Condição do Campo | Residência Artística com Isabel Carvalho

1 a 31 de março  
Local: Pó de Vir a Ser, Évora
(atelier aberto + partilha de processo a anunciar)

MELOPEIA: Falar sobre o falado / Cantar sobre o cantado / Pedras Grandes, Pedras Pequenas

No levantamento musical de Giacometti na pedreira da Póvoa de Lanhoso, A Pedra, em 1973, refere-se que o musicólogo Rebelo Bonito tinha escrito que o trabalho sobre a pedra, antes da chegada das grandes máquinas de extração, exigia dos pedreiros uma certa sonoridade corporal, em sintonia com a respiração, impulsionadora de movimentos exigentes. Identificou-a como sendo melopeia, relativamente assémica, formando um léxico mais ou menos improvisado, composto principalmente por interjeições que aliviariam o brutal esforço daquele trabalho.

Levanta-se então a questão de saber se, para além disso, existiriam outras sonoridades – as do trabalho sobre as pedras mais pequenas, convencionalmente associadas ao labor menor de mulheres e crianças. Efabula-se, assim, neste projeto, sobre o cruzamento dessas sonoridades e se não se teria formado, numa destas pedreiras de Évora, um arquivo sonoro, um coro materializado por muitos espíritos, tanto humanos, independentemente do género, como animais.  


Isabel Carvalho        




GEOLOGIA DA ATENÇÃO é o programa bienal da Pó de Vir a Ser. A Pó de Vir a Ser é uma estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura / Direcção-Geral das Artes e Município de Évora. Integra a RPAC - Rede Portuguesa de Arte Contemporânea.










Isabel Carvalho
(Porto, 1977). O seu percurso artístico caracteriza-se por uma forte componente experimental, sustenta-se na investigação, principalmente no domínio da filosofia e da literatura. Desenvolve o seu trabalho numa estreita articulação entre as artes visuais, a escrita, a edição e a publicação de livros, um conjunto de práticas que, ao longo dos últimos anos, tem vindo a expandir para a escultura, a ocupação do espaço tridimensional e a performance.

Entre as suas exposições individuais mais recentes, destacam-se: Editoria Errância, na Culturgest (2024, Lisboa); Mimológica, na Galeria Quadrado Azul (2025, Lisboa); Casting a Sounding Voice, no CAAA — Centro para os Assuntos da Arte e da Arquitetura (2023, Guimarães); Museu Mineiro, na Galeria Quadrado Azul (2022, Porto) e Langages Tissés, no Centre d’Art Le Lait (2021, Albi, França). Coletivamente participou, de uma seleção de exposições recentes, em Da desigualdade constante dos dias de Leonor, no Centro de Arte Moderna – CAM (2024, Lisboa); Derivas e Criaturas, na Galeria Municipal (2023, Porto); Strange Attractor, no Pavilhão Branco (2021, Lisboa); e Pés de Barro, na Galeria Municipal do Porto (2021, Porto).

Realizou residências artísticas internacionais no PAN Café (Paris), no NTU Centre for Contemporary Art Singapore (Singapura), na Künstlerhaus Bethanien (Berlim, Alemanha) e na Maaretta Jaukkuri Foundation (Lofoten, Noruega). Em Portugal, participou nos Encontros da Primavera (Picote), Performing the Archive (Porto) e na OSSO (São Gregório), entre outras iniciativas.

Em 2017, iniciou a revista Leonorana, da qual é autora e editora. É membro fundador da EARTHSEA — Associação Cultural dedicada à promoção e disseminação da investigação artística interdisciplinar, com enfoque na interseção entre ecologia e tecnologia.

+ info:  https://www.instagram.com/isabel__carvalho/   //        www.isabelcarvalho.net