A Pó de Vir a Ser convida para degustar e refletir sobre palavra simpósio, durante a apresentação do projeto artístico EN.TALHO de Eduardo Freitas que terá lugar, em Évora, nos dias 

25 Setembro 2021, às 11h – Mercado Municipal 1º de Maio

01 Outubro 2021, às 15h – Mercado Municipal 1º de Maio

07 Outubro 2021, às 16h – Rossio de São Brás

(junto à instalação “Isto é um Simpósio” de Pedro Fazenda)

Os gregos foram uma das primeiras sociedades europeias a produzir textos de receitas culinárias, visando definir o prazer de beber e degustar iguarias presentes nos banquetes da Grécia Antiga. O symposio (simpósio) era uma parte dos banquetes gregos em que o comer e beber em conjunto representava uma das importantes formas de educação e formação do cidadão.

É com esse cenário festivo na cidade que surge a residência artística “En.Talho”, título cuja fonética sugere tanto a técnica de talhar a pedra quanto o local onde se comercializa a carne. No âmbito desse projeto, o artista Eduardo Freitas explora a memória do Antigo Matadouro de Évora, um equipamento industrial de relevo para a história da industrialização da alimentação da cidade, e que desde 1986 é a sede do Departamento de Escultura em Pedra. 

Foi este espaço destinado à pedra que se acendeu uma faísca no imaginário do artista, com uma energia contida no mineral, muito tempo antes revelada no atrito entre as pedras que permitiu a descoberta do fogo primitivo.

Nas suas performances artísticas previstas para o espaço público, o artista anfitrião receberá os seus convidados para degustarem um banquete sobre a pedra, oferecendo ao público esculturas comestíveis que evocam a história do consumo de carne na cidade de Évora bem como ingredientes, receitas e materiais que aludem à pedra e o alimento, como o bolo mármore, pão marmorizado, sopa da pedra, pedra de sal, papel manteiga, entre outros.

Outro fenómeno importante para o pensamento artístico de Eduardo Freitas é o processo transformação, a começar pela transmutação dos ingredientes na alquimia da cozinha; passando pela conversão do Matadouro em oficina de escultura, até chegar às suas esculturas de pedra que se semelham aos ossos.Talhar a pedra bruta para encontrar no seu interior a escultura é como descarnar o animal até chegar aos seus ossos. Uma relação que se expressa desde os tempos dos nossos antepassados – Homo sapiens – que já utilizavam a pedra como ferramenta para partir ossos.