Fotografia ⓒ Joana Babau - Manifestos



Colectivo Estrela Decadente | Residência artística

20  a 29 de Março
Apresentação pública: 29 de Março entre as 18h30 - 20h
Presencial/ Entrada Livre
Local: Pó de Vir a Ser, Évora

Manifestos e Manifestações
Com o grande fundo dos 50 anos de democracia em Portugal,  Manifestos e Manifestações é um projecto duracional proposto pela curadora  Ana Cachola ao colectivo Estrela Decadente, e que prevê três mostras do trabalho artístico em curso durante cinco meses, em concreto Elvas, Évora e Beja. Em Elvas levantamos o trabalho desenvolvido no âmbito da residência artística Cultivamos Cultura em São Luís no Alentejo. Aqui pesquisámos e debatemos as performatividades, visualidades e materialidades dos Manifestos e Manifestações que nos circulam social e culturalmente, estruturámos constelações e pequenas timelines, mantivémo-nos em detalhes tipográficos e gráficos de manifestos e nas  palavras de ordem, cores e sons  das mais recentes manifestações políticas. A partir destas sessões de trabalho já desenvolvidas, planeamos continuar na Pó de Vir a Ser com a desmontagem das proposições implicadas nos manifestos (políticos, artísticos ou coincidentes), e a manifestação material do que ainda não está totalmente disponível para ter uma forma ou um curso de ação definido. Neste sentido, a nossa prática focou-se numa "topia" em tempo real, numa reconfiguração de palavras (sem ordem)  e de materiais encontrados  para uma nova assemblage em curso, que articule tanto a desmontagem do manifesto como a forma aberta da manifestação como plano do imanente.

Os modos e relações de produção da Estrela Decadente permanecem evidentes neste exercício colectivo. O elemento gráfico atravessa  a instalação inter-medial, os posters, o graffiti, a banda desenhada, ilustração, texto poético e ensaístico, na fotografia, som, e  imagem em movimento. Este universo gráfico é convergente com o recurso a materiais provisórios e de baixo custo; detritos urbanos para sua reutilização plástica (cartão, tecidos, latas de spray, tinta doméstica, objetos encontrados), bem como o recurso a tecnologia datada e acessível.
Respigar  como um modo de produção  abre os materiais, condições e circunstâncias a um novo valor de uso enquanto articula um espaço social comum, aqui, a nossa manifestação em curso, a marcha decadente: animada e desengonçada pela qualidade cinética (movimento/prática generativa) da reconfiguração, recombinação e improvisação  do que já está disponível a manifestar-se mas ainda sem uma forma (s) absoluta (s). (Coletivo Estrela Decadente)


Manifestos e Manifestações um projeto apoiado por:
República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes e Comissão Comemorativa 50 anos 25 de Abril, Museu de Arte Contemporânea de Elvas (MACE), CULTIVAMOS CULTURA, Pó de Vir a Ser, Armazém Fundo e Bedeteca de Beja.


A Pó de Vir a Ser é uma estrutura financiada pela República Portuguesa – Cultura / Direcção-Geral das Artes e Município de Évora. Integra a RPAC - Rede Portuguesa de Arte Contemporânea.










Estrela Decadente
Começou em 2016 com Xavier Almeida e Sar (Pedro Saraiva)  e com a realização de 89 happenings semanais num espaço associativo do Bairro operário da Estrela D'Ouro na Graça (Lisboa), entre janeiro de 2016 e outubro de 2017, com o nome do próprio colectivo: Estrela Decadente. Esses happenings materializaram-se com a programação de concertos, fanzines, exposições efémeras, jantares veganos e DJ set residente do Xico da Ladra.

Nessas edições surgiu a Revista Decadente, que após este ciclo inicial continuou até à data de hoje, onde conta já com 84 números. A Revista Decadente é dedicada à relação com a cidade de Lisboa através das disciplinas da banda-desenhada.

No início de 2017, num dos happenings da Estrela Decadente, foi criado o Ensemble Decadente, uma formação de exploração sonora e performática com forte vertente place specific. Entre janeiro e junho de 2018, ao longo de 30 edições semanais, criou a exposição contínua Grande Bienal de Arte Burra, onde o colectivo intervinha cumulativamente durante 30 semanas, com convidados artistas em cada semana. Passaram por lá as artistas Fernanda Fragateiro, Sara e André, João Fonte Santa, entre outros.

Desde 2020, a Estrela Decadente tem dedicado especial atenção à edição fonográfica em cassete, CD e plataformas digitais e à edição em papel de outras fanzines sem ser a Revista Decadente.

Dentro das programações da Estrela Decadente, insere-se o Matos em Festa, um evento mais complexo e abrangente que teve a sua primeira edição em 2011; ainda que de forma intermitente e não contínua, é um evento realizado na cidade de Ovar, que terá em 2025 a sua 10ª edição.

Um dos últimos projetos de criação, levado a cabo em março de 2023 no Armazém Fundo (Porto), foi a Operetta Decadente, uma ópera ruinosa com 15 artistas em cena. Uma homenagem à The Beggar’s Opera (1724) de John Gay e Johann Pepusch.

A Estrela Decadente é assim um grupo informal que se dedica a práticas artísticas marginais, alternativas e experimentais que não tem lugar no circuito comercial e institucional.

Tem tido participações e exposições em La Casa Encendida (Madrid), Serralves em Festa, Festival de Música Exploratória de Leiria, Galeria Zé dos Bois, Museu Arte Contemporânea de Elvas (MACE), Desterro, Armazém Fundo, Matos Em Festa, entre outros.